sexta-feira, 22 de julho de 2011

Varanda

Estou sentada na varanda, a ouvir música com phones e a fumar um cigarro. O Sol quente bate nas no meu corpo, sabe tão bem. Olho para a rua e vejo miúdos a brincar no parque. Alegres, não têm preocupações. Brincam apanhada, às escondidas e andam de bicicleta. Consigo ouvi-los a gritar e a sorrir. Eu, continuo sentada a fumar o meu cigarro. Sou talvez aquilo que a minha mãe nunca sonhou ter como filha. Ela, como todas as mães, queriam ter uma filha que fosse feliz. Sorrisse a tempo a inteiro, brincasse, fosse estudiosa e que nunca soubesse o que era um cigarro. Que não tivesse algum problema, quer de saúde ou mesmo social. A culpa não é dela. É minha. Chega a uma altura da nossa vida em que nos tornamos independentes. Escolhemos os nossos caminhos e os nossos pais já não nos podem ajudar. Eu escolhi este. Não posso dizer que sou uma má filha. Nunca roubei nada, nunca bati em ninguém, nunca fui chamada atenção pela polícia.
Queria ser como aqueles miúdos no parque, que brincam, brincam, brincam e depois vão para casa e comem uma deliciosa refeição saudável sem sequer se preocuparem se vão engordar ou emagrecer.
Hoje, já perdi a conta as calorias que ingeri e já perdi as conta às vezes que errei. Era como se fosse irracional e não me lembrasse do que tinha feito à trinta minutos atrás. Prometi a mim mesma que jamais ia contar à minha mãe. Para bem dela, para meu bem, para bem de todas as pessoas em meu redor. Dói-me ao falar, a garganta está irritada. O melhor é tomar dois rebuçados para a voz. No entanto, sinto-me tão mal que não devo comer mais hoje.
Só queria ser mais normal, como os miúdos no parque, mas bolas, nem todas as pessoas são assim.

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